O olhar que se tranforma em presença – Graciana Arnús

Por Graciana Arnús

Sempre tive curiosidade sobre o processo criativo. Com o tempo, percebi que criar não é inventar algo do nada.

É conectar experiências, memórias, referências e emoções acumuladas ao longo da vida e dar a elas uma nova forma.

A inspiração nasce nas viagens, nas conversas, nos livros, na arquitetura, na natureza e nos encontros do cotidiano. Muitas vezes, aquilo que mais nos inspira não é o que procuramos conscientemente.

São registros que a mente guarda e que, mais tarde, reaparecem transformados em algo novo. No meu caso, esses registros se materializam em roupas.

Cresci cercada pela arte. Minha mãe é artista plástica e, desde muito pequena, acompanhei sua capacidade de transformar emoções e percepções em obras.

Observá-la me ensinou que a criação nasce do olhar e da forma como interpretamos o mundo.

Se ela encontrou na arte sua forma de expressão, eu encontrei na moda a minha. O desenho é uma forma de traduzir como enxergo o mundo e, através das roupas, transformar essa visão em algo capaz de fortalecer outras mulheres.

Com o tempo, percebi que minha paixão não estava apenas em criar roupas, mas em compreender o poder que elas exercem sobre as pessoas.

Antes que alguém conheça nossa história ou escute nossa voz, existe a nossa presença. O vestir é, muitas vezes, o primeiro impacto que causamos.

Não se trata de aparência superficial, mas de linguagem.

A roupa comunica intenção, segurança, personalidade e posicionamento. Ela pode transmitir força antes mesmo de a primeira palavra ser dita.

Foi essa percepção que me levou a construir a Garnus.

Ao longo dos anos, encontrei uma conexão muito especial com mulheres que lideram: empresárias, empreendedoras e profissionais que ocupam espaços de decisão e entendem que sua imagem também faz parte da sua comunicação.

Quando crio uma peça, não penso apenas na modelagem, no tecido ou na tendência. Penso em como aquela mulher deseja se sentir.

Penso na reunião que ela vai conduzir, na negociação que vai liderar e na mensagem que deseja transmitir sem precisar dizer uma única palavra.

Talvez essa seja a parte mais bonita do processo criativo: perceber que uma ideia que nasceu de uma observação ou de uma memória pode chegar até outra mulher e ajudá-la a se sentir mais segura, mais forte e mais fiel a si mesma.

Depois de tantos anos desenhando, continuo acreditando que a verdadeira criação acontece quando aquilo que fazemos toca alguém e a ajuda a expressar quem ela realmente é.

A moda, para mim, nunca foi sobre seguir tendências. Sempre foi sobre fortalecer identidades.


Fundadora e diretora criativa da Garnus desde 2008, ela desenvolve peças de identidade marcante, unindo autenticidade e sofisticação. Formada pela Universidade Politécnica de São Paulo, destaca-se pela estética moderna e pelo DNA criativo presente em cada coleção.
@ graarnus https://garnus.com.br/

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