Onde o turismo encontra estratégia – Aline Lopes

Por Aline Lopes

OHá um trabalho no turismo que quase nunca aparece nas fotografias. Não está nas paisagens, nos aeroportos lotados, nem nos grandes eventos. Acontece antes. Muito antes. É o trabalho de construir consensos, aproximar interesses, organizar agendas e transformar demandas de um setor inteiro em propostas capazes de orientar decisões públicas e privadas.

É nesse ambiente que Aline Lopes construiu sua carreira.

Ao longo dos últimos anos, seu nome passou a circular com frequência entre empresários, representantes do poder público, entidades nacionais e especialistas que discutem os rumos do turismo brasileiro. Não por acaso. Sua atuação ocupa um espaço pouco visível para quem observa apenas o resultado final, mas decisivo para quem compreende como políticas, investimentos e iniciativas estruturantes começam a tomar forma.

Aline costuma tratar o turismo menos como uma atividade de lazer e mais como um instrumento de desenvolvimento. Na sua visão, quando planejado de forma estratégica, o setor:

✅ Movimenta economias locais
✅ Amplia oportunidades para pequenos empreendedores
✅ Fortalece cadeias produtivas
✅ Gera empregos
✅ Valoriza a identidade dos territórios

Essa compreensão explica boa parte das escolhas que marcaram sua trajetória.
Sua formação profissional começou em um ambiente conhecido pelo rigor técnico. Na EY (Ernst &
Young), uma das maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo. Ela se desenvolveu profissionalmente nos 10 anos de experiência em que trabalhou nas áreas de auditoria e consultoria, governança, planejamento, gestão de riscos e processos corporativos.

Atuou à frente da Coordenação do Conselho Fiscal do Serviço Social do Comércio
(Sesc Nacional), que é o principal órgão interno de fiscalização financeira e governança.

Sua função era garantir a transparência e a legalidade na gestão dos recursos da entidade. Essa experiência
consolidou uma característica que permaneceria presente em toda a sua carreira:

Tomar decisões a partir de análise, dados e planejamento, sem perder de vista as pessoas envolvidas em cada processo


Com essa base, passou a atuar na Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), onde liderou por anos as áreas de Planejamento, Processos, Projetos e Orçamento até assumir a Gerência do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur/CNC). Sua nomeação teve um significado histórico. Pela primeira vez, em mais de sessenta anos de existência do Conselho, uma mulher passou a ocupar a função.
O simbolismo, porém, nunca foi o centro da história.


O desafio era outro: contribuir para aproximar empresários, entidades representativas e governos em torno de uma agenda comum para o turismo brasileiro. É nesse contexto que iniciativas como o movimento Vai Turismo ganharam relevância.

Reunindo estudos, diagnósticos e propostas elaboradas em conjunto com representantes do setor, o projeto passou a oferecer uma base técnica para discutir competitividade, qualificação, sustentabilidade,
inovação e desenvolvimento regional.
Mais do que produzir documentos, a iniciativa busca transformar conhecimento em ações capazes de fortalecer o turismo como política de desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, Aline passou a representar o setor em fóruns técnicos, grupos de trabalho e debates sobre temas que vão da inteligência de mercado à padronização internacional, sempre defendendo uma visão integrada do turismo, em que infraestrutura, ambiente de negócios, formação profissional e preservação dos territórios caminham na mesma direção.

Quem acompanha sua atuação costuma destacar uma habilidade que não aparece em currículos: a capacidade de construir convergências. Em um setor formado por interesses diversos, essa talvez seja uma de suas maiores contribuições.

Em vez de acentuar diferenças, procura identificar objetivos comuns e criar caminhos para que instituições, empresas e gestores públicos trabalhem de forma coordenada.


Nos últimos anos, outra pauta passou a ganhar espaço em sua agenda: a ampliação da presença
feminina nos ambientes de decisão do turismo.
Mais do que defender essa transformação em discursos, Aline tornou-se parte dela. Sua própria trajetória demonstra que espaços historicamente ocupados por homens podem ser redefinidos quando competência técnica, preparo e capacidade de articulação caminham juntos.

Talvez seja essa a principal marca de sua carreira. Em vez de buscar protagonismo pessoal, escolheu atuar em um lugar onde os resultados costumam aparecer antes dos holofotes.

Enquanto o turista vê destinos, experiências e paisagens, existe uma rede de profissionais trabalhando para que tudo isso aconteça de forma organizada, sustentável e economicamente viável.

Aline Lopes faz parte desse grupo. Seu trabalho ajuda a mostrar que: o futuro do turismo brasileiro não será definido apenas pela beleza dos destinos ou pelo crescimento dos números, mas pela qualidade das decisões que começam muito antes da viagem.

E é justamente nesse espaço, onde estratégia, diálogo e visão de longo prazo se encontram, que ela vem construindo uma trajetória que hoje se tornou referência para o setor.


Executiva com trajetória em estratégia, governança e desenvolvimento do turismo. Gerente do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade da CNC, lidera iniciativas que conectam setor público e privado, promovendo inovação, competitividade e políticas para o turismo brasileiro. @alinellpss @sistemacnc

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